domingo, 29 de dezembro de 2013

Alquimia Espiritual

Que ventos os trazem à minha humilde morada? Que motivos, questionamentos ou certezas têm para mim? Por favor, não me respondam, mas a vocês próprios. Permitam-se responder suas perguntas sem seus anseios, preconceitos e crenças, livrem-se de tudo que vos caracteriza e tornem-se puros como os vossos filhos que acabam de chegar a este mundo. Difícil? Talvez, mas somente assim, em similar estado de espírito, conseguirão atravessar as portas que lhes mostrei em nossa conversa passada. Lhes mostrei ferramentas, vocês souberam usá-las?

Certa vez um amigo me abordou com a seguinte exclamação: "Não consigo imaginar uma pessoa dizendo 'vou ali fazer magia' como se fosse uma coisa simples e natural,  pra mim isso é completamente estranho". Ele não poderia estar mais certo e ao mesmo tempo mais errado, vocês conseguem entender por quê? Lhes deixarei encontrar a resposta para isso em minhas palavras e seus pensamentos.

A verdade é que estamos todos vestidos com uma roupa mental e espiritual que nos impede de ver adiante, que nos impede de ver a nós mesmos e que, principalmente, nos impede de enxergar nossos atos. O fato de existirem praticantes da mão esquerda, bem sucedidos em suas operações, devo acrescentar, não serve de exemplo a vós como algo positivo, mas como algo negativo, eles não alcançaram a Grande Obra, a Pedra Filosofal, o Elixir da Vida Eterna!

Estes termos lhes são estranhos? Pois me acompanhem em uma pequena jornada pelo que posso lhes oferecer a respeito. Todos nascemos puros e limpos de toda e qualquer influência externa, como disse antes, mas com o passar do tempo vamos adquirindo conhecimento e aquilo que era apenas uma pequena gama de materiais puros torna-se uma pedra bruta, mas através de atos e conhecimentos adquiridos a partir do convívio e/ou estudos conseguimos nos lapidar de tal maneira que podemos nos tornar algo mais do que simples pedras no mundo, mas belas gemas que brilham ao sol e nosso brilho ilumina a vida de outras pessoas, permitindo-as sonhar e seguir adiante, usando nosso brilho como lanterna pelos corredores escuros da vida.

Mas, como falei anteriormente, o conhecimento externo não é nada sem o conhecimento interno, centenas de livros são inúteis sem a prática e o conhecimento acumulado por toda humanidade também o é quando não conhecemos a nós mesmos, pois, como certa vez uma sábia pessoa disse "conhece a ti mesmo e conhecerás os deuses e o universo". Parece fantasioso para uma mente com certos bloqueios do cotidiano, mas é perfeitamente compreensível para aqueles que viveram e experienciaram pelo menos um pouco do que digo. Livros são necessários? Bom, para muitos de nós, que somos obrigados desde a infância a acreditar que todo conhecimento vem de fora, sim, mas aqueles que aprenderam a compreender os sinais da vida e do universo, não somente da natureza, mas de nós mesmos, estão muito bem encaminhado em seus laboratórios particulares de alquimia.

Um homem com uma arma pode ser apenas um fanfarrão; um homem que sabe usar uma arma e porta uma pode ser um matador; algum destes homens, porém, alguma vez se questionaram a respeito do por que usar armas? Uma pessoa que sabe falar é mais uma vida na Terra; uma pessoa que sabe usar as palavras pode ser tido como inteligente ou esperto, talvez sábio; mas algum deles tem o hábito de procurar o significado de cada palavra que sabem? Alguma dessas pessoas, e muitas outras com diversos tipos de conhecimentos, estão aplicando seus saberes de forma construtiva no mundo? Quando foi a última vez que vocês ajudaram a seu próximo? Ou que construíram coisas em prol de outros? Ou que ajudaram a edificar o ânimo daqueles que estavam se sentindo mal à sua volta? Quanto custa destruir? Quanto custa construir ou edificar?

O planeta gira e ao redor deste, nossos atos, visíveis e invisíveis, estes segundos são os que nos perseguem, quanto mais disparamos contra outros, mais temos chance de algum dia sermos atingidos pela bala que atiramos, por mais que ela não saia da nossa arma; em contrapartida, quanto mais ajudamos, mais temos a chance de sermos ajudados, mesmo que não seja pela mesma mão que recebeu a ajuda. Essa é a lei da vida, também conhecida como Karma. Em que você está aplicando seu conhecimento? O sentido da vida pode não ser o mesmo para todos, mas esta é a mesma para todos que a compartilham. Há aqueles que conseguem se manter pouco acima de sua área de efeito, mas por quanto tempo, apenas a vida dirá.  Aqueles que se utilizam de um conhecimento que pode ser usado tanto para o bem, quanto para o mal, estão correndo dois riscos: o de serem parados pelo próprio ato no futuro, ou o de serem empurrados para frente; uns se tornarão brutos, outros, mais lapidados.

O conhecimento de si, do universo e a forma de atuar neste meio são os verdadeiros ingredientes para a alquimia espiritual, nossas ações são os ingredientes adicionais e através da mistura de todo esse conteúdo no grande caldeirão da vida, queimando com o fogo das provações, teremos a misteriosa Pedra Filosofal.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Magia

Olá meus caros, como estão nesta noite? Há um certo tempo conversamos sobre assuntos diversos, entre eles Deus e os caminhos da magia, ou mãos desta, hoje abordarei esta última de uma forma mais direta, serei categórico e levarei em consideração que estão cientes das conversas das quais estou falando, ao mesmo tempo tentarei posicionar-me como professor, não como aquele que abre a porta do desconhecido para seus alunos e lhes mostra seu interior, mas como o que lhes mostra a porta e como abri-la. 

Primeiramente, tenham em mente de que, independentemente da vossa crença, tudo é Deus! E afirmando isso, me refiro à toda existência, do pequeno átomo, passando pelas formas concretas animadas e inertes, aos pensamentos e emoções de nossa espécie, sempre tenha noção disso, de que o que tudo que se move segue um fluxo universal e que aquilo que se pensa ativamente sobre este fluxo, pode ou não alterá-lo, e isto pode ou não fazer toda diferença. Tenham em mente que a magia nada mais é do que um ato de fé, ou, como alguns preferem chamar, uma aplicação da vontade do magista, e esta vontade pode mover montanhas!

A magia é uma só em aspectos gerais, mas, além do que foi anteriormente dito sobre esta, o intento sob o qual ela é aplicada, é comumente reconhecida pelos seus praticantes como dividida em duas grandes correntes: a oriental e a ocidental. A primeira é a mais subjetiva, acima de qualquer livro de magia e matérias que vocês leram em qualquer lugar, essa é a magia que mais se aproxima da que era praticada nos tempos antigos e pelos fiéis de pequenas divindades ou do grande Criador. Ela independe de objetos, que na realidade nada mais são do que focos de atenção ou energia, pela visão dos que a praticam; uma pessoa com uma fé trôpega precisa de símbolos, desenhos, objetos e outras coisas para realizar no plano físico o que está em seu imaginário, isso, claro, não invalida a energia que alguns objetos carregam, ou a egrégora que cerca certos símbolos, mas para os praticantes desta linha, a mente é o instrumento fundamental e, para alguns, o único necessário, sendo o segundo instrumento mais importante, a própria fé ou força de vontade, que, quando aplicada por um praticante treinado, gera movimentos tão intensos no fluxo do universo que estes se realizam nesta nossa realidade.

A segunda é a mais conhecida pela maioria das pessoas que estuda perifericamente a magia, aqueles que se atém a temas como ocultismo e misticismo. Não que eles estejam errados, não há certos ou errados no conceito basilar destas searas, mas o que se vê nada mais é do que um pequeno rascunho do que a via ocidental é de fato. Esta caracteriza-se pela necessidade de símbolos, abstratos ou concretos, imaginários ou físicos, que farão alguma ou toda diferença durante a prática da magia. Eles incluem símbolos, desenhos, objetos variados, palavras de poder, orações, cânticos, mudras, gestos etc., isso para não falar da influência dos dias, planetas e características pessoais dos envolvidos. Nesta prática é muito comum se ouvir termos estranhos e ver pessoas usando objetos diversos em situações diversas, como amuletos de proteção, imagens, sal grosso e similares; na ritualística não poderia ser diferente, enquanto a prática oriental se vale apenas da força de vontade do praticante, na ocidental a fé entra em primeiro plano, mas acompanhada de algumas ou muitas das coisas que citei anteriormente, por acreditar-se que estas validarão e permitirão que o ato se concretize.

Os termos "mago", "bruxo", "feiticeiro", "xamã" e similares existem neste meio, mas são bem menos usados, a menos que determinado autor queira usar uma língua de mais fácil acesso ou fazer comparativos entre determinados tipos de práticas, como Eliphas Lévi fazia. As palavras mais apropriadas, ou mais usadas no meio, são "magista" e "iniciado", apesar de alguns membros de ordens de estudos místicos se referirem uns aos outros como "irmão/irmã" ou "frater/soror". Normalmente essas nomenclaturas são desnecessárias, a menos que você queira se referir ao grau iniciático de alguém em determinada ordem.

Seguindo a linha de raciocínio anterior às nomenclaturas, há algo em comum entre as práticas oriental e ocidental, além da força de vontade, que é o cuidado com o corpo. É muito comum de se ver, ler ou ouvir que, para que nossos objetivos sejam alcançados, ou, inicialmente, perseguidos com segurança, precisamos estar sãos, não apenas mentalmente, mas fisicamente. Os pensamentos aqui pouco divergem, quase todos são unânimes em dizer que uma alimentação saudável, baseada em frutas, verduras, água fresca, horas de sono regulares etc., são de extrema importância, enquanto que para a saúde mental é indicado, por certas linhas tanto orientais, quanto ocidentais, que a pessoa procure ser alegre, positiva, caridosa e cultive pensamentos positivos para si e para o próximo, além de uma noção clara de seus objetivos e do que quer realizar.

Muitos podem se perguntar então o porque da prática comum da mão esquerda, principalmente contra outras pessoas, no intuito de desestabilizá-las ou destruí-las, se a magia é algo que deve ser feito por pessoas positivas. Ela é um dom que todos tem e todos podem desenvolver, mas da mesma forma como a inteligência pode ser usada para o benefício de outros, esta também pode ser usada para tirar destes ou afligir-lhes. Mais que um dom, a magia é a ação do ser humano na criação, e ela pode ser usada por conhecedores ou ignorantes. Estranho? Lhe esclareço: dos muitos "combustíveis" para a realização desta, a emoção é o mais perigoso, é como jogar um balde de gasolina em um fogo que tem-se a intenção de ser apenas uma fogueira de acampamento! Uma pessoa com muito medo ou muita raiva pode fazer tanto quanto, ou muito mais, normalmente mais, em uma ação da vontade, voluntária ou involuntária, do que uma pessoa que empregue sua alegria e prazer transbordante em uma operação desta natureza.

É certo que uma pessoa com raiva consegue destruir muito mais rápido que uma constrói com alegria e dedicação, não entrarei nesta seara, basta saber que milhões, ou melhor dizendo, bilhões de pessoas no mundo todo estão fazendo uso do que conhecemos como magia sem sequer saber disso e, pior, estão achando a coisa mais natural do mundo. Uma pessoa com raiva de outra e que deseje que esta seja atropelada na próxima esquina está tentando mover o fluxo universal naquela direção, no caso, no objeto de sua raiva, e, se esta vontade for bem direcionada e, apesar do sentimento, controlada, existe uma possibilidade de que aquilo se realize. Antes que se espantem, infelizmente essa é a realidade. Claro que há outras variáveis envolvidas, como a força de espírito da pessoa que atua e a do alvo, espíritos, fé, egrégoras, formas pensamento pré-existentes, orações, pensamentos diversos direcionados; há muitos fatores que podem impedir que esse tipo de desejo raivoso se concretize, mas ele não precisa ser imediato, pode ser gradativo, aquele sentimento pode crescer com o passar do tempo e, consequentemente, a força do pensamento do "agressor", por outro lado, a pessoa ou objeto alvo pode ser protegido por forças internas ou externas de tal maneira que dificilmente sucumbirá à natureza deste desejo.

Por essa e outras razões a pessoa que queira aplicar sua vontade ao fluxo universal deve estar tranquila e ciente do que quer e saber direcionar este intento. No final das contas, o domínio que a pessoa tem sobre a própria vontade contará como fator decisivo no sucesso ou insucesso da prática em questão.

Acho desnecessário dizer, mas, como disse antes, alguns objetos e símbolos - gráficos ou linguísticos - tem uma certo poder, uma egrégora, uma forma pensamento que as acompanhar em decorrência de práticas passadas, seja pela quantidade de pessoas que aquilo seguem, seja pelo tempo que ela representa determinada coisa, logo, faz-se necessário que o magista tenha conhecimento da origem de todos os símbolos que está usando, caso use algum, para que nenhuma força externa possa influenciá-lo do processo ou resultado do que se almeja. 

O preparo espiritual da pessoa também é muito importante, seja através de práticas diárias, seja através do uso de objetos com significado para a pessoa, a carga energética que o magista carrega faz muita diferença, pois uma pessoa despreparada está desprotegida e normalmente acontece uma das duas coisas que citarei a seguir - ou ambas! -: ou a prática não funciona, ou ela se volta para o praticante de uma forma negativa que irá durar a quantidade de tempo que a prática original deveria durar ou um certo número de anos que pode ir até nove, dependendo das forças envolvidas.

Em outra conversa abordarei novamente este assunto.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Bem e Mal

Olá meus caros, como vão? Tem sede? Venham, sentem-se comigo sob esta sombra e bebamos um pouco do que tenho a lhes oferecer, não é alcoólico ou advindo de frutas, mas diretamente da terra, água pura, direto da fonte, como dizem nas cidades. Esta é uma água especial, costumo retirá-la de uma fonte que encontrei muito recentemente e cuja origem é a própria montanha sobre a qual pisamos neste momento, uma oportunidade única para vocês, se me permitem dizer, e é sobre isso que quero lhes falar se me permitirem, claro.

Acompanhem meu raciocínio, a terra nos proporciona esta água que vem de uma fonte natural, diretamente da rocha, ela cai com um ruído e fluxo comportado em determinado banco de areia clara, no qual formou um pequeno lago, em volta do qual cresce um verdadeiro jardim natural. Permitam-me discorrer sobre essa maravilha! Há anos, não sei quantos, essa fonte jorrou seus primeiros pingos e a terra os engoliu, mas a frequência da água tornou-se grande e ela começou a escorrer, mas ali a terra afundou, gerando um lago diminuto, mas que, anos mais tarde, cresceu e se tornou o que é hoje. À volta deste, a natureza se desenvolveu, a terra à volta do lago tornou-se fértil e as sementes trazidas pelo vento tornaram-se plantas, algumas pequenas, outras grandes.

Imaginem, um pequeno pedaço do Jardim do Éden bem aqui, perto da civilização! As sementes que não germinam servem para adubar o solo ou servir de alimento para a vida, animal ou vegetal, que se desenvolveu ali e um pequeno mundo com ciclo próprio e obediente às estações está bem ali, ao alcance da vida, mas seguindo o ciclo desta, com plantas e animais que crescem, deixam suas sementes e descendentes e morrem para, em seguida, dar lugar àqueles que farão o processo continuar.

Agora suponhamos que esta fonte gere mais água e que uma das bordas do lago se desintegre de tal maneira que um pouco de água corra por um filete, ele não iria muito longe á princípio, mas logo se tornaria um pequeno córrego que, algum tempo depois, poderia vir a chegar na pequena cidade ali embaixo. Alguns anos mais tarde a cidade teria um pequeno rio, que poderia servir para saciar a sede de seus habitantes. Mais um pouco de tempo e o rio poderia crescer, servindo de gerador de força para a roda de um moinho e com frequência suficiente para, ano após ano, alimentar a plantação dos agricultores. Seria uma verdadeira maravilha! Uma demonstração perfeita da relação ser humano-natureza.

No entanto, existem pessoas e pessoas, assim como há sementes que caem no solo e germinam, há aquelas que caem e não o fazem, mas não servem de alimento, e permanecerão ali ocupando um espaço até que a terra as consuma, mas terão atrapalhado o curso das coisas, apesar de ocupar um espaço. Assim são algumas pessoas, mas outras conseguem ir além, conseguem fazer de si, e de outros, sementes inertes que, ao invés de meramente não contribuírem com o desenvolvimento natural, atrapalhá-lo.

Imaginem que uma indústria se desenvolvesse aqui perto, ela produz coisas maravilhosas para as pessoas, mas, naturalmente, sua produção gera resíduos, não apenas sólidos, mas líquidos também, estes primeiros vão para aterros e sacos que serão levados pelo serviço de limpeza urbana, mas os líquidos são despejados, através de encanamentos, em pedaços de terra mais baixos ou em rios e lagos. Digamos que nosso pequeno lago seja o alvo de um destes, a água na fonte não se contaminaria, mas o rio tem por fonte direta o pequeno lago e este alimenta a cidade mais abaixo, logo a água ficaria contaminada suficiente para não servir mais de alimentos para muitos animais que por aqui vivem, assim como as pessoas adoeceriam ao bebê-la. A terra continuaria a absorvê-la, mas as plantas talvez não cresceriam com o mesmo vigor, algumas pequenas plantas já nasceriam com uma contaminação não-natural e, possivelmente, o único que não seria afetado por tal intervenção seria o moinho, que só precisa da força da água.

Podemos ver um claro exemplo de ordem e desordem em ação, não posso dizer que isso é uma demonstração de forças benignas ou malignas em ação porque da mesma forma como nós desfrutamos do que a natureza alimentada pelo rio proporciona, milhares de pessoas desfrutarão dos produtos feitos na indústria que citei, muito embora este segundo esteja realizando uma espécie de troca pelo benefício do produto, ainda assim não podemos retirar o mérito deles em produzir algo para ajudar outras pessoas. Não vou dizer que eles estão seguindo um curso natural dentro de todas as coisas, mas não podemos acusá-los de corruptores gratuitos da vida natural.

Imaginemos, agora, que certa pessoa vá até o pequeno lago e despeje veneno neste, ele se dilui levemente, é levado rio abaixo, as pessoas da cidade consomem a água adoecem e, em casos extremos, morrem rapidamente. Isso é completamente diferente dos dois casos que citei mais acima, pois não somente as pessoas sofreriam com isso, mas toda natureza à volta do rio, principalmente a animal, e, por um período, aquele sistema ficaria desequilibrado, até o efeito do veneno passar.

Agora percebam: tudo aquilo que levou anos, décadas, séculos para ser construído, com pequenos gestos, que podemos chamar de egoístas e/ou malignos, respectivamente, foi duramente afetado, o curso natural destes mudou drasticamente, não o rio, mas se a força humana com suas máquinas resolvessem intervir com barragens e privar a cidade do seu rio gratuito e torná-lo privado, isto também seria possível, e mais uma vez a ação de uma ou mais pessoas mudaria não somente a vida que inúmeras pessoas, mas da própria natureza que cerca este rio.

Afunilemos o raciocínio onde quero chegar: como é fácil desfazer aquilo que levamos tanto tempo e esforço para construir! Em um aspecto material, imagine uma casa, agora imagine quanto tempo um ou mais pedreiros levam para erguer apenas uma parede dela, levando em conta que tudo foi posto no lugar, se a parede não tiver o apoio de outra, a ação de um ou mais pessoas a derrubará e o contraste da criação e destruição, por mais artificial e microcósmica que seja, mostrar-se-á! A cassa que levou meses para ser construída por um grupo de pedreiros pode ser, em um dia, reduzida a escombros se estes a atacarem com martelos e outras ferramentas contundentes.

Voltando ao aspecto natural, o mesmo acontece, uma flor leva certo tempo para germinar e crescer, para se tornar bela e perfumada, mas precisamos apenas uma fração de segundos para arrancá-la ou amassá-la, para aniquilar seu sopro de vida, indo mais longe, mas no mesmo âmbito, o mesmo acontece com árvores e pessoas, machados e serras são suficientes para tirar a vida de ambos. Uma vida que levou de sete a nove meses para se desenvolver no útero materno, que levou décadas para se erguer e assimilar tudo que estava à sua volta e se tornar homens e mulheres como nós pode cessar em questão de minutos ou segundo sob a intervenção de outra pessoa ou força da natureza.

Entremos na seara do sentimento, do abstrato: o sentimento que nutrimos uns pelos outros, por muitas vezes, leva anos para se desenvolver e, quando não trabalhado e encarado corretamente, pode ser destruídos da noite para o dia com pequenos gestos e palavras que, para aquele sentimento, são tão fatais como é a lâmina de uma espada para nós. Um amor entre irmãos, amigos ou amantes pode ser desconstruído em questão de dias, quando motivado por diversos fatores que, pouco a pouco, tenham se juntado na mente do que se desapega, ou em questão de horas ou mesmo minutos, as vezes em questão de segundos! E por motivos muito menores!

Bem e mal, amor e ódio, criação e destruição, ordem e desordem. Seria correto ligar estes opostos uns aos outros? Seria correto afirmar que as forças desconstrutoras são mais fortes que as construtoras? Seria correto afirmar, com base nestas perguntas, que o mal é maior que o bem? Que as pessoas deveriam perverter sua bondade para a maldade e desnutrir todas as coisas boas e positivas meramente porque é mais fácil desfazer do que fazer algo?

Ponho minha resposta neste recinto: não! É muito fácil determinar que a destruição e todas as outras segundas palavras que citei são justificadas pela sua simplicidade de acontecimento. Não valem a atenção dos que pensam no avanço da humanidade em direção a evolução e desenvolvimento, não apenas físico, mas mental e, ademais, espiritual. Mas não posso dizer que um existe sem o outro. A luz não existe sem as trevas; a noção de paz perderia seu sentido se não houvessem guerras e outras formas de caos, da mesma forma como a evolução só se torna possível quando temos noção da inércia ou involução das coisas. No entanto, estas não podem ser justificadas por aqueles que querem crescer. Há aqueles que já desistiram de dar um passo adiante por acharem que estão a dezenas de passos atrasados e que isto justifica a continuação do retrocesso, mas, mesmo nestas mentes, ainda há a noção de que é possível seguir por outro caminho.

Há muitos caminhos que nos levam para longe do horizonte, como uma raiz múltipla e farta, mas há outros tantos caminhos na direção do horizonte, este é mais difícil, claro, o crescimento é um processo difícil e muitos o utilizam como justificativa para fazer o caminho inverso, mas para isso há um sentido, que será por nós encontrado cedo ou tarde. Avançar ou recuar é uma escolha de todos, mesmo quando nascemos na pior das condições, mas tudo que fazemos tem nosso julgamento antecipando a ação. Não me posicionarei como juiz, mas não posso agir, também, como mero expectador; este conhecimento se formou em minha mente sob diversas fontes, algumas cristalinas, outras não, e o que lhes trago é um punhado de sementes que podem germinar ou ficar estagnadas, depende apenas da decisão de quem as recebe.

O planeta gira, as coisas mudam, as plantas, animais e pessoas crescem e, naturalmente, mudam junta ou separadamente, nunca as coisas pararão de avançar, porque a Terra gira em uma mesma direção, lentamente, mas continuamente, resta a nós escolhermos se faremos parte desse movimento ou se nos oporemos a ele.

sábado, 13 de julho de 2013

O Bom Combate.

Olá caros viajantes, já faz algum tempo que não nos falamos, estava vagando pelas estradas da mente e da vida e me deparei com algumas situações interessantes. Por favor, sentem-se, sinto não poder lhes oferecer algo para beber ou comer, mas para ouvir, tenho algo muito interessante. É sabido que podemos comparar a vida a uma batalha, na qual travamos inúmeros combates e há aqueles que almejam travar o que um escritor famoso, chamado Paulo Coelho, inspirado na bíblia, chamou, corretamente, de Bom Combate.

É certo, caros, que temos, cada um de nós, objetivos e para cada um deles acumulamos uma certa quantidade de energia, nossa energia, que pode ser traduzida como esforço, nos esforçamos em certas coisas na vida e podemos alcançá-las ou não, tudo vai depender do que fazemos e como fazemos, além, obviamente, do que deseja-se fazer ou obter. Tenham em mente que o universo, as coisas e algumas pessoas conspiram em nosso favor quando queremos algo e lutamos por ele. Sim, sei o que alguns dizem, que muitos de fato conspiram contra nós, para que não realizemos nossos objetivos, mas é exatamente aí onde entra a minha mensagem.

O Bom Combate é realizado em silêncio.

Porque tudo que fazemos na vida gasta energia, até mesmo dormir e descansar, tudo. O Bom Combate deve ser travado em silêncio porque muitos tentar de tudo para conseguir algo e nunca conseguem e acabam desistindo. É fácil entender: muitos tentar e almejam coisas na vida falando para quem quiser ouvir, aquilo que desejam, e é aí onde mora o problema. Alguns querem acreditar nisso, mas falam para familiares e amigos íntimos o que querem, mas isso ainda é um erro. Sempre que falamos sobre algo que queremos realizar, nosso sucesso atinge uma distância maior, porque tudo tem sua energia, até nossos sonhos e objetivos, e não podemos gastá-los à toa.

Trave seu combate sem falar nada para ninguém, a menos que aquela pessoa precise saber de algo para que você possa prosseguir, mas seu adversário e espectadores não precisam saber. Falar durante o combate o seu fim, gasta energia, gritar, muito mais e falar o que se almeja, dificulta ainda mais que ele seja vencido. É simples de se entender: cada realização, cada etapa que concluímos para a realização de algo maior exige um certo dispêndio de energia, principalmente quando precisamos alimentar aquele objetivo com aquela energia, a partir do momento que falamos ou gritamos, estamos jogando energia ao vento e impedindo que o nosso objetivo seja iluminado com a energia que necessitaremos mais na frente para poder alcançá-lo.

Portanto, deixo-lhes esta dica, não gastem vossas energias em vão, se tens um objetivo, trace-o, planeje e comece a trilhar o caminho para alcançá-lo liberando energia apenas para a realização dele e evite revelá-lo a muitas pessoas, você perceberá como fica mais concentrado, apto e disposto a realizar um objetivo quando guarda-o para si.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

A Meditação.

Olá visitantes, sentem-se, por favor, caso se interessem pelo que este velho pode vir a contar-lhes, pois hoje quero falar-lhes sobre a importância da meditação em nossas vidas. Sim, não apenas na sua, nem apenas na minha, mas na de todos os seres humanos. Pode parecer muito pretensão minha, mas não é e lhes direi porque.

Tenha em vista que sua vida é agitada, que sofres de problemas cardíacos ou pulmonares devido à má utilização destes órgãos, ou mesmo que sejas triste e deprimido com o formato com que sua vida se apresenta para ti. Não vos ofereço nenhum remédio que não possa ser gerado por vocês próprios e um desses é a meditação. Pare tudo que está fazendo! Dedique um momento de seu dia para este ato, de preferência à noite, ao deitar, ou de dia, ao acordar, solte os membros, se encoste em algo e procure ficar em uma posição confortável. Está confortável? É aqui que que a magia acontece!

De fato lhes direi algo que todos tem costume de ler e ouvir em muitos lugares: esvaziem suas mentes. No entanto, não digo apenas isso, pois sei que é uma tarefa dificílima! Mas vamos tentar? Encare sua mente como um grande vazio negro e seus pensamentos como telas que vem em sua direção, cada tela carrega um pensamento - pode ser algo que você acabou de viver, algo que você comeu, um cachorro que afagou, um filho com o qual brigou, sua esposa brincando, qualquer coisa -, mas não lhes dê atenção, deixe que passem pela sua vista e em hipótese alguma vire o rosto para acompanhar o pensamento.

Quando conseguir fazer isso com o primeiro pensamento, serás abordado pelo segundo, terceiro, quarto e assim por diante em ordem de importância em sua vida, eles continuarão vindo e vindo e caso não tentes criar este controle, verás em seu interior um turbilhão caótico onde todos os pensamentos giram furiosamente! Portanto, controle sua mente e deixe que os pensamentos venham e fluam para fora de sua linha de interesse, você deve querer apenas o vazio.

De fato é uma tarefa difícil, pode ser que vocês levem dias para conseguir tal feito, o de ficarem no completo vazio de suas mentes, sem telas de pensamentos vindo lhes abordar, mas cedo ou tarde, através das tentativas, vocês conseguirão. Tendo alcançado este estado, vocês estarão acompanhados apenas pelo seu Eu superior, aquele que vos conecta com o Criador, com o universo, aquele onde somos deuses e verdadeiros donos de nossas vontades. Neste estágio, somos capazes de enxergar erros que cometemos, falhas que temos e não costumamos ver, além de, é claro, nos sentirmos um pouquinho mais próximos de Deus.

Inspire profundamente, respire longamente, faça tudo calmamente. Os descontrolados tomam o controle e os desatentos tornam-se alertas de tudo que permeia suas vidas, percebem, estes e todos vocês, que somos nós o verdadeiros senhores e senhoras de nós mesmos e daquilo que nos cerca e que nossas vidas podem sim ser guiadas pela nossa vontade.

Sim, a meditação nos revela isso, a longo prazo para alguns, a curto prazo para outros, e pode revelar muito mais, para aqueles que mergulharem sem medo no mar de mistérios que habita vossos corações e mentes.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O Sentido da Vida.

Qual é o sentido da vida?

Esta certamente é uma pergunta que muitas pessoas fazem a si mesmas, a pessoas que julgam conhecedoras das respostas certas ou que procuram em outras fontes. No entanto encontrar uma respota adequada é certamente difícil meus caros. Pelo menos para aqueles que ainda estão à procura dela ou mesmo de um sentido para suas vidas.

Porque perguntas a si ou a outros o sentido de sua vida? Tens medo dela, dúvidas do que ela reserva para você? Muitos desistem de achar uma resposta, mas mantém a pergunta em seus interiores, com medo de saber uma verdade incoveniente, afinal, vai que ela, a respotas verdadeira, seja algo que faça com que você precise sair do conforto de seus hábitos para praticar algo no qual você não acredita ou não gostaria de se envolver.

Arrisco-me a dar algumas respostas: o sentido da vida para o homem do mundo, e para o homem me refiro a toda humanidade, é basicamente crescer, sobreviver, prosperar e procriar, gerar uma prole que leve para a próxima geração o que eles, homem e mulher que a geraram, faziam ou pensavam. Para o homem religioso, o sentido da vida pode ser a missão de, pelo menos, tentar ser o parecido com seus ídolos, ou Deus, para que tenham suas almas ao lado Deste no fim dos dias, no juízo final, ou mesmo no paraíso de cada crença, quando sua vida se extinguir.

Peço licença para colocar nesta página a minha resposta para esta enigmática pergunta: o sentido da vida está na evolução constante e incessante do espírito que nos dá a vida, pois, se em nossa encarnação passada, não fomos capazes de atingir o ápice da evolução espiritual, nosso espírito deverá encarnar novamente, após a morte do corpo que habitou anteiormente, para que ele tenha mais uma chance de agregar novos conhecimentos e tenha sua essência filtrada novamente para que possa se aproximar ao máximo do núcleo de toda existência, aquele de onde toda e qualquer vida surge, o paraíso dos cristãos, o Nirvana, a Valhalla, a perfeição e mais sublime existência ao lado do que muitos chamam de Deus.

No entanto, é possível que me perguntem, porque então nosso mundo é tão marcado por tanta destruição causada pelos seres humanos? Porque a evolução espiritual é uma opção. Simples assim. Podemos ter tido uma vida completamente voltada para a iluminação em nossa encarnação anterior e na atual vivermos uma vida longe de qualquer traço de espiritualidade, isso é mais que natural, o inverso também é possível, se não fosses capazes disso na vida anterior, tens esta para tentar, se não conseguir, ou não quiser, tuas ações dirão o destino de seu espírito na próxima encarnação e poderás renascer em um corpo de maior, ou menor, complexidade, para que possa tentar novamente.

A verdade é clara como o sol que brilha onde todos os seres livres podem ver.

sábado, 13 de outubro de 2012

Deus.

Deus. Quem é? O que é? É um homem que comeu a fruta sagrada e assim se tornou um Deus? Seria uma mulher? Porque não um animal? Ou um alienígena! Caros, tenho uma visão de Deus e gostaria de compartilhá-la convosco. Em primeiro lugar, me é estranho pensar que Deus está sobre alguma nuvem, perpétua ou mutável, sobre os céus de nosso belo planeta a nos observar. Ao mesmo tempo, também não consigo vê-lo em uma sala  ricamente trabalhada em pedra cinza e incrustadas nas paredes desta, diversas pedras preciosas. Isso é muito humano!

Como pensar em Deus usando conceitos tão básicos? É tão certo que Ele está acima de todas as coisas na Terra, que definir Sua morada, caso houvesse uma, e sua forma, pode ser considerado um ato de loucura ou meramente de uma mente ingênua e/ou ignorante. Me refiro ao mesmo como "Ele" para facilitar a comunicação, mas poderia usar inúmeras outras palavras, acho que a que melhor se aplica é "Princípio Universal da Criação", parece extravagante, mas cai nos olhos e ouvidos de gregos e troianos sem dizer que Deus é homem ou mulher, afinal, Ele não tem gênero, ou sexo.

Pensar Nele sentindo raiva, alegria ou tristeza, são coisas que me fazem pensar como no que disse anteriormente, pois Deus não é um homem ou mulher, muito menos um animal, para sentir essas coisas. A concepção do mesmo é infinita e, portanto, termos de nossa definição, humana, logo, limitada, serviriam apenas como uma pequena peça de um grande quebra-cabeça chamado Deus. 

Uma das coisas que mais fazem o ser humano ver em Deus suas imagens, é o trecho bíblico, deveras citado no mundo, em que Ele nos diz que criou o homem "sua imagem e semelhança". Apelo neste momento para duas coisas nas quais acredito: 1ª - A bíblia passou por séculos de traduções, com certeza houve mudança textual e contextual; e 2ª - Do hebraico, que foi a língua usada para escrever os textos que se tornaram a bíblia, para qualquer língua, há diversas possibilidades de traduções. A única semelhança que os humanos tem com Deus está na frase "conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses", de Sócrates.

Porquê? Pois somos tão capazes de atuar no mundo como Deus, mas em escala limitada, afinal, não se pode comparar um grão de areia com toda areia contida no mundo e nos demais planetas do universo, não é? Existem mistérios na vida, conhecidos por aqueles que estudam a Grande Ciência, ou Ciências Antigas, que nos suurpreendem, afinal, vemos que somos capazes de coisas que nada mais são do que reflexos e consequências do ato de viver e deixamos que passem desapercebidas com facilitade.

Por último, dou-lhes uma explicação para a frase "tudo é possível para aqueles que acreditam", afinal, quando queres algo, pensas nisso, atua sobre isso, tenta conseguir e, quando o consegue, o tem em sua vida, mas como essa realização começou? Na sua mente, no seu pensamento. Da mesma forma o universo e o nosso mundo foi criado: Um pensamento surgiu na mente do infinito, que ao realizá-lo, trouxe à tona a existência na qual vivemos.

A tudo isso, dou o nome de Deus.